quinta-feira, 15 de maio de 2008

Novembro, 4.

"YES, WE CAN".

Dizem.

Yes, he can.

Digo.

As primárias já estão.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Festa em Paris.


Nanterre (Ile de France), Convívio PCP com presença de Jerónimo de Sousa, em visita às Comunidade emigrada.
Fotografia Tiago Ferreira Marques



E agora Hillary?




Vencedora no Indiana por apenas 2% e derrotada na Carolina do Norte por 12%, Hillary está, em minha opnião, definitivamente afastada da nomeação.


Nas seis primárias que faltam a senadora Clinton teria de ter 68% do total dos votos - tarefa impossível.

Obama chegará, assim, à convenção de Denver como vencedor anunciado.

O que fará a senhora Clinton?
Ela que do topo da sua arrogância, e quando estava já em segundo lugar nas primárias, sugeria a Obama que fosse seu vice?
Especula-se, agora, o contrário.
Se fosse a Obama não aceitaria... Serão mais os problemas que as vantagens.

Chega de Bush, Clinton, Bush, Clinton... mesmo que o último Clinton seja "apenas" vice.

sábado, 3 de maio de 2008

A crise de meia-idade do PSD.

Passado, futuro ou mais um bocadinho do mesmo de sempre?






Disse-o aqui que Menezes tentava, ao provocar eleições antecipadas, calar os críticos e, assim, legitimar a sua liderança rumo a 2009. Disse, também, que Menezes correria poucos riscos visto que não se perfilavam candidatos com força para o derrotar.

Azar dos azares para Menezes.

Se Pedro Passos Coelho, Patinha Antão ou Neto da Silva eram esperados, Ferreira Leite não.
Foi a tal margem de erro, pequena, que aconteceu.

Menezes teve azar na sua aposta e manteve, então, a sua retirada. E com essa, veio a candidatura Santana Lopes.

Está feito o quinteto de candidatos de "luxo" do actual PSD.
Se Patinha Antão e Neto da Silva são desconhecidos, os restantes três não.

Santana vem da linha de poder, líder parlamentar, mostra-se mais uma vez em eleições porque, diz, Portugal não está bem. Em 2005, com a liderança santanista de um PSD destroçado, Portugal estava melhor?
Santana representa a ala mais popular do Partido. Já perdeu uma vez com Socrátes.
Resta saber se o que perdeu foi, de facto, a guerra ou se uma batalha, com a próxima marcada para 2009.

Pedro Passos Coelho, ex-líder da JSD, representa o futuro do Partido. Com 44 anos, ideias novas e uma retórica brilhante. Simples sem ser popular. Ou muito popular. Esta ainda não será a sua hora...
Talvez nas legislativas de 2013... Frente a António Costa.

Resta Ferreira Leite, de cognome "dama-de-ferro". Credibilidade e acção. Estas são as suas imagens. Imagens de que o PSD gosta. Contra, tem o facto de representar o passado, um glorioso passado cavaquista, a um passado que já não existe. É uma espécie de retrovisor.
Ainda há Alberto João Jardim. Até 15 de Maio decide se se candidata ou não. Ele que tenha a consciência que se ganha eleições facilmente na Madeira, no continente ninguém vota nele... Ser Primeiro-Ministro, para Jardim, é uma miragem delirante.
Não tenho nenhuma simpatia por este PSD.
Nem por outro qualquer, diga-se.

Mas que este PSD é uma festa, é.
E quem mais gosta dela, quem mais se diverte, é o PS.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Alguém disse "não me obriguem a vir para a rua gritar"?

Comunicado de Imprensa dos Precários-Inflexíveis.
Movimentos anti-precariedade calados ontem na RTP

"Os Precários-Inflexíveis e o FERVE (Fartos/as d'Estes Recibos Verdes) foram calados na RTP. Aconteceu ontem à noite no programa "Prós e Contras", filmado na Casa do Artista, em Lisboa.

Estes dois movimentos anti-precariedade tinham sido convidados a participar num debate televisivo sobre as novas propostas de leis laborais apresentadas pelo Governo. Mas quando o representante do FERVE (André Soares) e dos Precários-Inflexíveis (João Pacheco) foram conduzidos aos camarins, foi-lhes dito numa escada de acesso que afinal havia demasiados convidados e apenas um deles poderia falar.

Os representantes dos dois movimentos decidiram partilhar o curto "tempo de antena", preparando-se para falar um sobre questões práticas relacionadas com os falsos recibos verdes na função pública e a petição apresentada pelo FERVE à Assembleia da República e o outro sobre o desfile anual anti-precariedade Mayday, que começará à uma da tarde de 1 de Maio, no Largo Camões, em Lisboa.

Na sua curtíssima declaração, o representante do FERVE, André Soares, colocou várias questões incómodas ao ministro do Trabalho e da Solidariedade Social Vieira da Silva. A partir desse momento foi impossível os representantes destes dois movimentos anti-precariedade voltarem a falar.

O representante do FERVE, André Soares, abandonou o auditório pouco depois de ter falado e de não ter tido direito a respostas do ministro Vieira da Silva, coisa que se esperava de um debate, modelo em que o programa se insere.

O representante dos Precários-Inflexíveis, João Pacheco, ficou longos minutos de pé na primeira fila da audiência. Com um microfone desligado na mão, à espera de poder falar pelo menos uma vez. Ao fim de muito tempo, foi convidado a sair por uma das pessoas da produção do programa.

Com João Pacheco saíram do auditório em solidariedade todos os membros dos Precários-Inflexíveis presentes até esse momento nas filas da frente do auditório.

Os Precários-Inflexíveis repudiam o que aconteceu no "Prós e Contras" de ontem e estão a preparar uma queixa formal ao Provedor do telespectador da Rádio e Televisão de Portugal, professor Paquete de Oliveira.

Como é possível que sejam convidadas pessoas para falar num programa de um canal de televisão público, deixando-as depois a fazer figura na audiência, como jarras decorativas?

Certos de que a precariedade é uma bomba-relógio social prestes a rebentar em Portugal, os Precários-Inflexíveis dizem aqui o essencial do que ficou por dizer ontem, num programa em que praticamente apenas se falou de trabalho precário:
1 de Maio, uma da tarde, largo Camões, em Lisboa - Mayday!

Resta-nos a rua para podermos expressar a nossa luta.
A presença desta multidão enganada será ouvida."

Via PI

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Vamos para a rua gritar.

Comemorei o 25 de Abril, claro.

Mas se a geração que está hoje na casa dos 60 anos nos abriu portas,
somos nós agora que temos de continuar.
A nossa geração tem de continuar.
A geração 500 euros.

Não há liberdade sem segurança social.
Não há liberdade sem justiça.
Não há liberdade sem educação gratuita - desde infantários ao ensino superior.
Não há liberdade sem sistema nacional de saúde.

"As portas que Abril nos abriu" foram as portas de podermos lutar pelos nossos direitos livremente.
E essa é a maior das liberdades.
Essa é a grande proeza, podermos lutar livremente pelo que acreditamos.

Vamos agora nós, continuar ou, à século XXI globalizado, fazer um upgrade do 25.04.74.

Ir para a rua gritar - a maior das liberdades.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A demissão de Menezes ou a espera invertida.

O PSD vive em crise desde 2005. Desde a partida de Durão Barroso.

O PSD foi nestes últimos anos um partido à espera. À espera de um grande líder. Os "potenciais grandes líderes" esperam, por sua vez, pelo momento certo para entrar em cena - PS tem a maioria, está bem nas sondagens e Socrátes mostra-se forte, portanto, o momento certo nunca será antes das eleições de 2009 mas sim depois, entenda-se, para as eleições de 2013.

É neste jogo de esperas que acontecem Santana Lopes, Marques Mendes e Menezes.
Este é o contexto dos últimos anos.
Nenhum destes três quiseram esperar.

Contudo, nesta quinta-feira, é Menezes, o homem das bases, que decide puxar da táctica da espera.
Menezes percebeu ou pelo menos teve a certeza - em 6 meses de liderança - que se o apoio das bases serve para ser eleito líder do PSD, isso não lhe chegará para ter bons resultados nas legislativas. Com isto quero dizer que Menezes percebeu que precisa dos notáveis do PSD, senão para apoiá-lo, pelo menos para não o atrapalhar - porque são esses que têm tempo de antena nos media, são esses que têm a opinião publicada, são esses que podem ser decisivos nos resultados do seu PSD em 2009.

Em síntese, Menezes percebe, claramente, que se as bases populares do PSD fazem dele o líder do partido, serão os notáveis do PSD que o poderão levar a Primeiro-Ministro ou pelo menos a um resultado digno em 2009, ou seja, retirar a maioria ao PS.

Posto isto, Menezes pede a demissão. Pede aos notáveis do partido que se cheguem à frente. Pressiona. Diz aos críticos para se apresentarem a 24 de Maio. Afirma que não está na corrida. Orgulha-se do que fez e agrade às bases. E, principalmente, espera.

Nesta curta espera... porque, lembre-se, Menezes não é daqueles de esperar pelo momento certo, marca eleições para 24 Maio. Curto para grandes candidaturas. O único que está realmente organizado para elas é... o próprio Menezes.
Surge Aguiar Branco, da "burguesia do Porto" disse João Jardim e Pedro Passos Coelho, ex líder da JSD. Menezes espera.

Menezes sabe que não irá aparecer nenhum "potencial grande líder" porque sabe que esses estão à espera do momento certo. Portanto, irá anunciar a sua recandidatura e voltar a ser líder do PSD.
Se isto acontecer, Menezes sabe que terá, então, toda a legitimidade de que precisava para ir a jogo em 2009 com Socrátes.

É a último trunfo de Menezes e está jogado. E bem jogado.
Digo: a 24 de Maio Menezes resolve de vez a situação interna da sua liderança no PSD. Depois? Depois... verá novamente resolvida em 2009. Com a mia que provável derrota contra Socrátes e a chegada do momento certo do "potencial grande líder".

Portanto, o Menezes que pede a demissão hoje e que diz que não está na corrida será o mesmo Menezes, se não houver imprevistos, que será novamente líder já no próximo 24 de Maio.

Boa jogada, pouco risco e muito retorno.

sábado, 29 de março de 2008

Pretextos para Dizer.

Domingo.



Quando chega domingo,
faço tensão de todas as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida.

Há quem vá para ao pé das águas
deitar-se na areia e não pensar...
E há os que vão para o campo
cheios de grandes sentimentos bucólicos
porque leram, de véspera, no bolitim do jornal:
«Bom tempo para amanhã»...
Mas uma maioria sai para as ruas pedindo,
pois nesse dia
aqueles que passeiam com a mulher e os filhos
são mais generosos.
Um rapaz que era pintor
não disse nada a ninguém
e escolheu o domingo para se matar.
Ainda hoje a família e os amigos
andam pensando porque seria.
Só não relacionam que se matou num domingo!...
Mariazinha Santos
(aquela que um dia se quis entregar,
que era o que a família desejava, para que o seu futuro ficasse resolvido),
Mariazinha Santos
quando chega domingo,
vai com uma amiga para o cinema.
Deixa que lhe apalpem as coxas
e abafa os suspiros mordendo um lencinho que sua mãe lhe bordou,
quando ela era ainda muito menina...
Para eu contar isto
é que conheço todas as horas que fazem um dia de domingo!

À hora negra das noites frias e longas
sei duma hora numa escada
onde uma velha põe a sua neta
e vem sorrir aos homens que passam!
E a costureirinha mais honesta que eu namorei
vendeu a sua virgindade num domingo
- porque é o dia em que estão fechadas as casa de penhores!

Há mais amargura nisto
que em toda a História das Guerras.

Partindo deste príncipio,
que os economistas desconhecem ou fingem desconhecer,
eu podia destruir esta civilização capitalista, que inventou o domingo.

E esta era uma das coisas mais belas
que um homem podia fazer na vida!

Então,
todas as raparigas amariam no tempo próprio
e tudo seria natural
sem mendigos nas ruas nem casas de penhores...

Penso nisto, e vou a grandes passadas...
E um domingo parei numa praça
e pus-me a gritar o que sentia,
mas todos acharam estranhos os meus modos
e estranha a minha voz...
Mariazinha Santos foi para o cinema
e outras menearam as ancas
- ao sol
como num ritual consagrado a um deus! -
até chegar o homem bem-amado entre todos
com uma nota de cem na mão estendida...

Venha a miséria maior de todas
secar o último restolho de moral que em mim resta;
e eu fique rude como o deserto
e agreste como o recorte das altas serras:
venha a ânsia do peito para os braços!

E vou a grandes passadas
como um louco maior que a sua loucura...
O rapaz que era pintor
aconchegou-se sobre a linha férrea
para que a morte o desfigurasse
e o seu corpo anónimo fosse uma bandeira trágica
de revolta contra o mundo.
Mas como o rosto lhe estava intacto
vai a família ao necrotério e ficou aterrada!
Conheci-o numa noite de bebedeira
e acho tudo aquilo natural.
A costureirinha que eu namorei
deixava-se ir para as ruas escuras
sem nenhum receio.
Uma vez que chovia
até entrámos numa escada.
Somente um beijo trocámos...
E isto porque no momento próprio
olhava para mim com um propósito tão sereno
que eu, que dela só desejavao corpo bem feito,
me punha a observar o outro aspecto do seu rosto,
que era aquela serenidade
de pessoa que tem a vida cheia e inteira.
No entanto, ela nunca pôs obstáculo
que nesse instante as minhas mãos segurassem as suas.
Hoje encontramo-nos aí pelos cafés...
(ela está sempre com sujeitos decentes)
e quando nos fitamos nos olhos,
bem lá no fundo dos olhos,
eu que sou homem nascido
para fazer as coisas mais heróicas da vida
viro a cabeça para o lado e digo:
- rapaz, traz-me um café...
O meu amigo, que era pintor,
contou-me numa noite de bebedeira:
- Olha,
quando chega domingo,
não há nada melhor que ir ao futebol...
E como os olhos se me enevoassem de água,
continuou com uma voz
que deve ser igual à que se ouve nos sonhos:
- ... no entanto, conheço um homem
que ia para a beira do rio
e passava um dia inteirinho de domingo
segurandouma cana donde vaía um fio para a água...
... um dia pescou um peixe,
e nunca mais lá voltou...
... O pior é pensar:
que hei-de fazer hoje, que toda a gente anda alegre
como se fosse uma festa?... -
O rapaz que era pintor sabia uma ciência rara,
tão rara e certa e maravilhosa
que deslumbrado se matou.

Pago o café e saio a grandes passadas.
Hoje e depois e todos os dias que vierem,
amo a vida mais e mais
que aqueles que sabem que vão morrer amanhã!

Mariazinha Santos,
que vá para o cinema morder o lencinho que sua mãe lhe bordou...
E os senhores serenos, acompanhados da sua mulher e dos filhos,
que parem ao sol
e joguem um tostão na mão dos pedintes...
E a menina das horas longas e frias
continue pela mão de sua avó...
E tu, que só andas com cavalheiros decentes,
ó costureirinha honesta que eu namorei um dia,
fita-me bem no fundo dos olhos,
fita-me bem no fundo dos olhos!

Então,
Virá a miséria maior de todas
secar o último restolho de moral que em mim resta;
e eu ficarei rude como o deserto
e agreste como o recorte das altas serras:
e virá a ânsia do peito para os braços!...

........................

Domingo que vem,
eu vou fazer as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida!


Manuel da Fonseca,
dito por Mário Viegas,
em "Pretextos para Dizer",
1978.