quinta-feira, 30 de julho de 2009

PS apresenta programa eleitoral de "acção"

O Partido Socialista apresentou, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, o programa eleitoral tendo em vista as próximas eleições legislativas.

José Sócrates, secretário-geral do PS, foi o último orador de uma noite de promessas que passam por uma reforma fiscal a favor das classes médias, uma justiça mais célere e o reforço das forças de segurança. Avança também o casamento entre pessoas do mesmo sexo, assim como um referendo à regionalização e as reformas das leis eleitorais.

“Escrevemos no coração do nosso programa eleitoral o reforço das políticas sociais”, sublinhou Sócrates, reforçando as diferenças entre PS e PSD neste campo já que Manuela Ferreira Leite defende “um Estado mínimo”.

“As nossas ideais são de futuro e a nossa atitude é mobilizar o país no combate à crise e num esforço modernizador”, disse Sócrates, frisando que o PS é um partido “progressista”.

“Queremos Portugal mais moderno e qualificado. Próximo da Europa, mais respeitador da liberdade individual das pessoas e não tolerando nenhuma forma de discriminação”, disse. Prometeu ainda aplicar "políticas de apoio às famílias e à natalidade, o reforço das políticas sociais e a reforma fiscal a favor das classes médias".

Não houve novas bandeiras, as ideias do programa socialista já eram há muito conhecidas e, assim, José Sócrates não se demorou nelas e partiu para o jogo de palavras com o PSD.

O PS foi o primeiro partido a apresentar o documento, e numa altura em que se sabe que o PSD só o apresentará no final de Agosto e que será, nas palavras do social-democrata Aguiar Branco, “minimalista”, o secretário-geral do PS referiu que o “mínimo que se exige a quem se candidata à governação do país é que apresente, antes, as suas ideias e propostas”.
E acrescenta que “é claro que os que defendem um Estado mínimo talvez sintam a necessidade de esconder o que defendem, mas nós queremos convictamente o Estado social”.

As 120 páginas de propostas socialistas são para José Sócrates “um programa de acção” e que os outros têm “um programa que se resume a parar, suspender, rasgar”.

Partidos preparam-se para legislativas

As eleições legislativas preenchem já totalmente o horizonte dos partidos políticos portugueses. Marcadas para o dia 27 de Setembro pelo Presidente da República, Cavaco Silva, começam-se a conhecer os cabeças de lista dos partidos em cada círculo eleitoral, os programas eleitorais e os objectivos de cada partido para esta eleição.

PS e PSD partem com o mesmo objectivo: ganhar e formar governo. José Sócrates já disse que espera fazer “uma coligação com o país” de forma a prosseguir o projecto que teve início em 2005, quando ganhou a Pedro Santana Lopes.

Manuela Ferreira Leite assume que “ganhar por um voto” é o objectivo mínimo laranja. Os dois partidos divergem em muitos projectos, mas estão de acordo na ideia de que a governabilidade é fundamental. PS e PSD defendem que caso os votos sejam muito repartidos, Portugal correrá o risco de ser ingovernável.

A CDU e o Bloco de Esquerda criticam o Governo PS e a alternativa PSD, já que não se trata de uma verdadeira alternativa mas antes uma alternância de poder. No CDS, Paulo Portas já veio dizer que não estabelece metas para estas legislativas.

Diferenças

“Está para nascer um primeiro-ministro que tenha feito melhor no défice”, diz José Sócrates. É desta forma que o chefe de governo responde à acusação de Manuela Ferreira Leite, para quem as contas públicas estão “absolutamente descontroladas”.

A diferença entre os dois maiores partidos portugueses é nítida. Ferreira Leite defende uma maior contenção em época de crise de forma a não endividar o país, enquanto Sócrates defende que será o investimento público a incentivar a economia através da criação de emprego, para além de serem realmente necessários, na visão do secretário-geral socialista, um aeroporto e o TGV.

A CDU está contra um possível bloco central. Benardino Soares já veio afirmar que “nenhuma maioria absoluta serve para o povo”, explicando que nem uma maioria de um só partido, nem uma constituída por PS e PSD servirá para melhorar o país.

O BE pede mais votos e Francisco Louça refere que o partido “fará uma das disputas mais importantes pela confiança da esquerda, pela dignidade da luta política, pelos trabalhadores e pelos jovens”. “Isto é o pântano dos negócios, do abuso, da criminalidade financeira. É a isso que a esquerda tem de responder”, afirma o líder bloquista.

No CDS, Paulo Portas diz que vai reduzir os impostos e faz disso a maior bandeira do partido. “Só assim a economia poderá recuperar”, diz Portas.

A economia já domina o debate político mas a educação e a saúde também serão temas importantes na próxima campanha. O PS já apresentou o programa eleitoral, enquanto que o PSD falhou a data prevista e espera apresentar o programa no início de Setembro.

Listas vão sendo definidas

O primeiro-ministro José Sócrates vai ser o cabeça de lista do PS pelo círculo de Castelo Branco, secundado por Fernando Serrasqueiro, secretário de Estado do Comércio e da Defesa do Consumidor. No círculo de Lisboa, a lista do partido vai ser liderada pelo Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, disse uma fonte do PS à agência Lusa.

Alberto Martins, líder da bancada parlamentar socialista, será o primeiro candidato pelo círculo do Porto. A mesma fonte adianta que o ministro das Finanças e da Economia, Teixeira dos Santos, deverá ser o número um em Aveiro, a ministra da Saúde, Ana Jorge, avançará como primeira candidata em Coimbra e Vieira da Silva, ministro do Trabalho e da Solidariedade vai encabeçar a lista de Setúbal. O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, é o primeiro da lista em Vila Real e António José Seguro deverá manter-se como cabeça de lista por Braga.

No PSD, a presidente Manuela Ferreira Leite será a líder da lista em Lisboa, secundada por Nuno Morais Sarmento. O vice-presidente do partido, Aguiar Branco, será o cabeça de lista pelo Porto, seguido do deputado Agostinho Branquinho. Nos Açores avança Mota Amaral. Ainda estão muitos lugares em discussão nas listas dos sociais-democratas e o debate maior tem sido a inclusão de Pedro Passos Coelho como líder do distrito de Vila Real. A concelhia local pretende o ex-presidente da JSD, mas Manuela Ferreira Leite não parece ceder a essa intenção, já que defende a lealdade entre candidatos e direcção nacional do partido como principal factor de selecção.

Francisco Louça, do BE, e Jerónimo de Sousa, da CDU, vão liderar as respectivas listas no círculo eleitoral de Lisboa. Paulo Portas, presidente do CDS-PP, encabeçará a lista do distrito de Aveiro.

O dia das decisões

Tudo será decidido a 27 de Setembro, data em que os portugueses irão às urnas para escolherem o próximo Governo. A eleição organiza-se em 22 círculos eleitorais, ou seja, 18 distritos, as regiões autónomas da Madeira e Açores e, também, o círculo da Europa e resto do mundo.

Depois da vitória do PS em 2005 com uma maioria absoluta de 121 deputados, o PSD quer melhorar o resultado de Santana Lopes nas últimas legislativas, o de 75 deputados.

Há quatro anos, a CDU conseguiu 14 representantes, enquanto que o BE ultrapassou o CDS e passou a quarta força política no Parlamento. Todos os partidos continuam com os mesmos líderes, excepto o PSD que irá a eleições com Manuela Ferreira Leite.

As campanhas deverão arrancar em força no final de Agosto, com a entrada do ano político. Este será o segundo acto eleitoral de 2009, depois das europeias e antes das eleições autárquicas, já marcadas para 11 de Outubro.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Festa do Avante arranca a 4 de Setembro

A Festa do Avante, na Atalaia, Seixal, dura 3 dias, entre dia 4 e 6 de Setembro, e conta com concertos, peças de teatro, feira do livro, debates, exposições e barracas de restauração de todas as regiões portuguesas. Todos os anos é assim e 2009 não foge à regra.

A grande novidade está logo na noite de abertura, com a Grande Gala de Ópera onde poderão ser ouvidas as obras de compositores como Puccini, Verdi ou Mozart. Ainda na música, destacam-se os portugueses Clã e a dupla Maria João e Mário Laginha e os espanhóis Ska P.

Nas artes de palco, o teatro, a dança e o cinema documental estarão em evidência no “Avanteatro”. Milhares de títulos e dezenas de editoras marcarão presença na feira do livro e será comemorado o centenário do nascimento de Soeiro Pereira Gomes.

A festa conta ainda com um programa desportivo. Ginástica, karaté, futsal e esgrima são algumas das modalidades presentes e a 22ª edição da Corrida da Festa está marcada para dia 6. Outro dos pontos importantes do recinto é a Cidade da Juventude, onde os jovens poderão falar de problemas como a falta de emprego e a precariedade laboral.

No último dia, como é tradicional, o palco 25 de Abril contará com a intervenção do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. Segue-se um concerto e a encerrar a festa construída, todos os anos, por milhares de voluntários, ouve-se a Carvalhesa.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Manuel Alegre deixa Parlamento 34 anos depois

“Ser deputado é a mais bela função do mundo”, diz Manuel Alegre. O histórico socialista deixou de tê-la, 34 anos depois de ter sido eleito pela primeira vez. Na sua última sessão parlamentar, Alegre referiu que foi uma honra servir o país durante mais de três décadas na Assembleia.

Alegre sai como entrou, ou seja, “combatendo pelas minhas ideias e por uma República moderna, em que a democracia política se conjugue com a democracia económica, a democracia social, a democracia cultural e os novos direitos civilizacionais”, frisou, referindo que foi esse o sonho dos deputados constituintes.

Manuel Alegre afirmou que deixa a Assembleia da República por “decisão pessoal”. Recordou que pertence a uma geração que nasceu em ditadura, quando o Parlamento “era uma caricatura”. O poeta sublinhou que “o esvaziamento dos direitos sociais implicará sempre uma diminuição dos direitos políticos e um empobrecimento da democracia” e deixou ainda um sério alerta aos deputados sobre a cedência ao populismo.

O crescente divórcio entre cidadãos e os políticos mereceu também a preocupação de Alegre, que sublinhou que o combate a esse problema deve ser travado com “uma intransigente prática republicana, com espírito serviço de público, com transparência e fidelidade à palavra dada perante os eleitores”.

A intervenção de Manuel Alegre foi aplaudida de pé por todas as bancadas, exceptuando a do CDS-PP. Alegre, um dos fundadores do PS, deixou ainda algumas palavras aos seus companheiros da Constituinte, Jaime Gama, Mota Amaral e Jerónimo de Sousa. Amaro da Costa, Francisco Sá Carneiro, Mário Soares, Salgado Zenha, Álvaro Cunhal e Carlos Brito foram os outros nomes destacados por Alegre em dia de despedida.

Despediu-se Manuel Alegre da “casa da democracia”, prometendo continuar fiel “à República, à liberdade, à democracia e ao socialismo e, sobretudo, fiel a Portugal e ao povo português”, disse.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Touradas.

O Ministro da Economia demite-se após fazer "corninhos" ao deputado Benardino Soares.
Andamos a brincar à política.

Foi a morte do touro Pinho.
Pensava que as touradas de morte estavam proibidas em Portugal.

Depriminte.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson.

Sempre gostei de Michael Jackson.

Cresceu cedo de mais, aos 5 anos era já a estrela dos Jackson Five.
Não teve infância. Tentou recuperá-la mais tarde.
Conta-se que ia para uma loja de brinquedos depois da meia-noite e ficava lá a brincar.

Grande cantor, dançarino e compositor. Dos maiores de sempre.
Deixa saudades. Muitas. Era único.

Aos três anos resolvi pedir o meu primeiro disco aos meus pais.
Disse: "Quero o disco do Maico Jeico".
Ainda hoje isso é motivo de conversa animada.
E é algo de que me orgulho.
Cresci com as suas músicas e tive pena de não ser mais cescido para estar presente no único concerto que deu em Portugal: Alvalade, 1992.

O que é criticável noutros, nele era perfeitamente aceitável.
Tudo era permitido porque era o Michael.
Parecia imortal. E para mim, é.

Desaparece um dos últimos baluartes da cultura popular mundial.






Obrigado por tudo.
Até sempre, Michael.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Factos e Ilações Europeias 2009.

Afinal, parece que todos ganharam. Uns mais que outros. Um só derrotado: o PS.

O BE é o grande vencedor. Passa a terceira força política. Elege 3 eurodeputados.
O PSD ganha, e por boa margem, as eleições.
O PCP também vence. Mais votos, mais percentagem em relação a 2004.
O CDS ganha porque afinal não desaparece.
O PS perde e ponto.

José Sócrates substimou claramente o PSD. Ainda entrou na campanha mas já não foi a tempo, mas se não tivesse entrado o resultado talvez tivesse sido ainda pior. A derrota começou logo na escolha do cabeça de lista. Até Ana Gomes teria sido um melhor nome.

Nesse campo, quem acertou foi Manuela Ferreira Leite. Rangel sabe o que faz e na actual conjuntura deu para ganhar. Mas o PSD não se pode enganar a si próprio pensando que estas europeias são uma espécie de primárias para as legislativas. Não são. Quando os portugueses forem às urnas para decidir as políticas internas, tudo será diferente. E aí não teremos Vital frente a Rangel mas Sócrates frente a MFL... com outro factor adicional: há menos abstenção, cai de 60% para 30%, e sabe-se como ela foi penalizadora para o PS neste primeiro round de 2009.

O Bloco de Esquerda passa o PCP. Aqui a grande novidade. Vamos ver como vai lidar o PCP com esse facto totalmente novo.
Não posso deixar de referir que estou muito contente com a eleição do Rui Tavares.

Quanto ao CDS... ficar contente por desmentir as sondagens é pouco. Mantém dois deputados quando a representação nacional cai de 24 para 22. Não é excelente, não é mau. Quinta força política. Fica na mesma. Negam-se a desaparecer mais uma vez.

NOTAS:

O MEP foi o maior dos pequenos.
As sondagens foram o grande tema de debate da noite de hoje. Deve ser o maior problema nacional. Fantástico.
Le Pen eleito.
Berlusconi, primeiro-ministro e cabeça de lista do seu partido (incrível!) ao PE ganhou eleições.
Extrema-direita britânica elege um eurodeputado pela primeira vez.
PdL (extrema-direita) segundo partido mais votado na Holanda.
Sarkozy vencedor. PS francês não se levanta. Filha de Jacques Delors não resolve.
Abstenção 62,8% e não esteve sol.

RESUMO:

Vencedor: Paulo Rangel.
Vencedores: BE
Perdedor: Sócrates
Perdedores: PS

sábado, 6 de junho de 2009

Europeias 2009.


O PS lá irá ganhar... não por Vital Moreira mas apesar de Vital Moreira.
O cabeça de lista socialista vem da academia e não tem jeito para grandes discursos.
Não está à vontade para falar com as pessoas na rua.
Pior: por ter estado no PCP, parece, constantemente, procurar provar que, agora, está de corpo e alma no PS.
Sei que o passado comunista de Vital interessa, e dá muito jeito, ao PS para estas eleições. Contudo, afasta o eleitorado da direita - ele já foi comunista - e acaba também por afastar os de esquerda - ele é um vira-casacas.
Por isso, lá está: Sócrates teve mesmo de entrar na campanha em força.
Ganha, mas ganha por um deputado.

Manuela Ferreira Leite, finalmente, tirou um coelho da cartola.
O coelho chama-se Paulo Rangel (aliás, no PSD há outro, Carlos Coelho, que é tão só o eurodeputado que mais apresenta trabalho no PE mas que, quase aposto, a generalidade dos portugueses nem sequer ouviu falar).
Rangel, sabe falar, tem dom para o soundbyte, pensamento estruturado e, como diz Inês Serra Lopes, conseguiu algo fantástico: unir à volta dele as diferentes correntes laranjas e sabe-se que isso não é coisa pequena.
Irá perder mas por muito pouco e, este sim, não apesar dele mas apesar de MFL.
Esta, por sua vez, poderá ser engolida pelo tal coelho que tirou da cartola - fala-se já num Rangel como concorrente de Pedro Passos (e lá está) Coelho.

BE e CDU concorrem pela terceira posição. O primeiro sempre bem nas sondagens mas sabe-se como o eleitorado da CDU é. Não falta à chamada e vota.
Gosto do Rui Tavares, pessoas como ele fazem falta.

Depois, e por último, como tem sido hábito, o CDS de Melo e Portas.
Em algumas sondagens Nuno Melo fica de fora, ou seja, o CDS corre o risco de não eleger sequer o cabeça de lista.
Apesar de tudo, isso não deve acontecer, contudo será razão para ficarem apreensivos.
Falando do outdoor, se calhar não têm mesmo razão.

O MEP pode ser a surpresa de domingo.



VOTE!, ou não, isso é consigo.

Esclareça o que for possível: Debate Final Europeias 2009.


Já que estamos em dia de reflexão:
O que dizer do cabelo e bigode de Vital?
Rangel é mesmo o polvo da "Pequena Sereia"?

Mais a brincar:
Como é possível o PdL ser a segunda força mais votada na Holanda?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Dia D.

Sou amigo da neta da pessoa que decidiu em que dia se realizaria o desembarque da Normandia.
Só para registo, essa pessoa era, naturalmente, meteorologista.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

(Sem título)

Foi assim que o futebol de Lisboa ficou pelo quarto ano consecutivo.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Barça!, Barça!, Baaaaaarça!

Genial.

O Barcelona conquista Taça, Campeonato e Liga dos Campeões.
Tudo numa época.

É inédito em Espanha. Antes, só o Man United em 1999.
E logo na estreia de Guardiola como treinador de uma equipa sénior.

A maioria dava algum favoritismo ao Man United.
E com razão, já que ao Barcelona faltavam peças-chave como Márquez, Abidal e, sobretudo, Daniel Alves.
Os ingleses estavam no máximo, só Fletcher e Wes Brown de fora, contudo jogadores menos decisivos para Fergunson.

O Man United começou por dar fundamento a esse favoritismo. Dez minutos muito bons. Cinco remates contra zero dos catalães. E Ronaldo a brilhar. O Barça tremeu. Viu-se isso logo na primeira jogada do jogo. Os red devils entraram como se esperava, eram os campeões europeus e do mundo.

Mas... chegou o minuto dez.
O tal.
Aquele que iria ditar tudo. Virar o jogo.
O Barça marca por Eto'o a passe do magistral Iniesta.
O camaronês esteve brilhante.
Foi um daqueles momentos em que a técnica e a raça se cruzam para uma grande jogada.
Muito poucos conseguem esse cruzamento de características.
Eto'o consegue e demonstrou-o.
Sem medos, pôs os blaugrana na frente.

A partir daí, tudo se inverteu.
Antes era o Barça a tremer, agora era o Man United.
Os catalães, com esse golo, mais do que ficar em vantagem, ganharam a confiança necessária para praticar o tal futebol, aquele futebol, o total.
Não mais deixou de controlar o jogo.
Mesmo quando o Man United dominava, notava-se que o Barcelona estava a par dos acontecimentos, tudo controlado, portanto.

Tudo isto foi reforçado quando Fergunson tira Anderson ao intervalo.
Tévez vai para o ataque e ficam Carrick e Giggs no meio campo para Busquets, Xavi e Iniesta. Este foi o segundo momento decisivo.
O Barcelona passa a ter espaços, espaços a mais para uma final da Champions.
Então, para além de controlar, passam a dar espectáculo.

Fica a sensação de que Cristiano Ronaldo e companheiros nunca iriam conseguir empatar o jogo. O problema estava não propriamente na falta de Anderson, mas na falta de Scholes que entra tarde no jogo.
Se Fergunson queria jogar só com dois no meio, certo.
Mas nunca poderia ser com Giggs.
O galês continua a ser um jogador de excelência, claro, mas não num duplo-pivot contra o Barça.

O golo de Messi aparece.
De cabeça.
É a ironia suprema para uma equipa inglesa.
Serve de consagração ao melhor jogador deste ano.
Pessoalmente, a cada jogada de Messi vejo Diego Armando Maradona sussurrando ao seu ouvido.
Só pode ser isso.

Ronaldo, esforçado e o melhor dos britânicos hoje, aliás como de costume, foi traído por quem menos esperava.
Pela equipa.
Aquela que o ajudou a ser o melhor de todos.
Esta noite não conseguiu.
O Man United jogou mal e não se percebe muito bem porquê.
Estar a perder? Não me parece que seja razão para isso.
São experientes, e o próprio Ronaldo, temperamental, após o golo do Barça mostrou-se calmo e tentou dar confiança à equipa.
A resposta que está mais próxima da verdade talvez seja a superioridade catalã.
Marcou no momento certo, ganhou confiança e esqueceu a falta de três titulares na defesa.

Tudo correu bem aos culés.
Parabéns a todos. Merecem.
Mas merece, principalmente, Pep Guardiola.
Ganha tudo.
Ninguém em Espanha o havia feito e Guardiola consegue logo no seu primeiro ano.

Ganham com um futebol magnífico e com a Unicef na camisola.
E assim é muito mais bonito.
São, de facto, diferentes.
Claramente, Laporta e Guardiola comandam um império.

O Império Blaugrana.

Samuel Etoo e Pep Guardiola cantam uma nova letra para o mítico hino do FC Barcelona.

Um video da Marca, tão só um jornal de Madrid...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Reportagem.

...
Imigrantes adoptam
Mouraria como refúgio
...
José, Pedro, Rachid e Ahmed são quatro dos cerca de 11 mil imigrantes que escolheram a Mouraria como residência. Falam dos problemas e das coisas boas de Portugal. Aquele que é o bairro mais antigo da capital é, hoje, uma cidade dentro de outra. É palco de projectos de vida. Por João José Pires


São seis da tarde na Mouraria.

Este bairro tão antigo como a nacionalidade, berço do fado e imortalizado pela voz de Amália está hoje muito diferente.
São cerca de 11 mil os estrangeiros que escolheram o bairro mais antigo de Lisboa para morar. Estamos, muito provavelmente, no local mais cosmopolita da capital portuguesa.
Mais ainda o sentimos quando descemos as ruelas até à Praça Martim Moniz.
Vemos pessoas das mais variadas nações, etnias e credos.
É fácil ouvir línguas estrangeiras: indiano, chinês, ucraniano e até português com sotaque brasileiro.
Aqui misturam-se cores e criam-se laços.
Aqui cruzam-se pacotes e sacos pretos carregados por jovens chineses e mulheres indianas de saarii.
Ucranianos passeiam ao lado de senegaleses enquanto crianças bengalis e paquistanesas brincam na Praça, dentro do Centro Comercial da Mouraria brincam outras, agora chinesas.
Neste Centro vendem-se desde electrodomésticos a cassetes, desde roupa interior e atoalhados até especiarias e livros de orações.
Existem seis pisos de lojas e só uma é portuguesa.
Este espaço reflecte bem as diferentes origens destes imigrantes.
Apesar do frio, o Martim Moniz é um fervilhar de um formigueiro humano.
Os imigrantes adoptaram a Praça como ponto de encontro e o bairro da Mouraria como residência.

Na Praça, junto a um quiosque-bar metálico improvisado, encontramos José, um angolano que vive em Portugal há 8 anos e que nos apresenta a Praça do Martim Moniz como um símbolo da “presença dos imigrantes em Lisboa. Aqui há imigrantes de diferentes partes do mundo, vêm até cá para se reunirem, divertirem, conversar, recordar a terra. Depois do trabalho vêm cá tomar uns copos com os amigos. Sabe bem quando estamos longe da família”.
Rachid, um indiano de 42 anos, interrompe José para dizer que gosta muito dos portugueses. “Eu trabalho aqui há muito tempo. O tempo é bom e a gente também. Gosto da cultura portuguesa e os portugueses são muito amigos”. J
osé brinca com Rachid e diz-nos que ele gosta de Portugal não tanto por causa da cultura mas porque namora com uma portuguesa. Rachid cora e responde que “essa é outra história. Amor é diferente. Quero casar-me com ela, é verdade, gosto muito da minha namorada”.
Mas o diálogo torna-se mais sério quando perguntamos quais são as maiores dificuldades que os imigrantes vivem em Portugal.
O racismo torna-se rapidamente tema de conversa. “Há racismo no acesso ao emprego. Por exemplo, somos excluídos por sermos emigrantes e não por não termos capacidades. Nos transportes públicos ainda há muitas pessoas que nos olham de lado, quando vamos ao banco tratam-nos de maneira diferente, sentimo-nos diferentes. São maneiras de excluir as pessoas”.

Lídia Canha, psicóloga da Associação Solidariedade Imigrante, diz que a convivência na Mouraria entre portugueses e imigrantes nem sempre é fácil e explica porquê. “Em relação aos que residem aqui há mais tempo existe já alguma convivência, alguma integração. Mas em termos gerais, não é muito fácil. Este é um bairro com muitos problemas sociais. Sendo um bairro muito degradado, é relativamente fácil arranjar piso barato, e também por isso é que começou a atrair muitos imigrantes, que têm pouco poder económico. Desse ponto de vista há uma tendência para responsabilizar os imigrantes pelos problemas sociais do bairro”.

Na rua do Capelão, na pequena casa onde nasceu o conhecido fadista Fernando Maurício está agora um videoclube indiano.
À porta, está Pedro, um jovem guineense.
Confirma com angústia o problema do racismo. “Como africano, já não sinto o racismo como sentia quando cheguei a Portugal. Já me passa ao lado. Acho que as pessoas que pensam assim estão a ser retrógradas, ainda não sabem o que é a essência humana”.

Deixamos Pedro e vamos até ao Café do senhor António ao lado da antiga Tasca da Severa, famosa fadista portuguesa.
Pelo caminho, damos com Dona Fernanda e Rita, mãe e filha, desde sempre moram na Mouraria e têm visões muito distintas sobre a imigração no bairro.
Rita conta-nos que é casada com Viktor, um imigrante ucraniano. “O meu marido agora é português mas veio de um país de leste. Adaptou-se bem, esforçou-se e hoje em dia tem uma vida óptima. É uma questão de esforço da parte das pessoas”, afirma convicta e com orgulho. Dona Fernanda interrompe-a de forma exaltada, para dizer que “os imigrantes deviam ir todos embora da Mouraria, é só droga e gatunos”.
Rita tenta explicar esta opinião revoltada. “É parte que eles vêem, o lado mau das pessoas. Não é só a imigração que traz o mal. Os portugueses infelizmente também são um povo imigrante lá fora, sabemos como as coisas são”.

Lídia Canha refere que as pessoas mais novas não têm tantos entraves e preconceitos em relação aos imigrantes. Segundo a psicóloga está a verificar-se uma evolução de geração em geração. “Há evoluções, a tendência é os imigrantes serem os primeiros bodes expiatórios mas isso está a mudar”

Chegamos, finalmente, ao café do senhor António.
Lá dentro ouve-se com atenção o relato do seu Benfica. O argelino Ahmed também vibra com o clube encarnado. O senhor António já se habituou à mudança do bairro.
Ahmed está longe de casa há cinco anos. Viaja à procura de trabalho e prefere Portugal a Espanha. “Os portugueses são bem melhores que os espanhóis, aqui não há tanto racismo”
Num português esforçado, Ahmed dá-nos conta da sua tristeza.
Ri-se no fim de cada frase, como que para esconder a emoção. “Não tenho trabalho, não tenho papéis, é difícil, tenho dois cursos mas não tenho trabalho.”

Para José, Pedro, Rachid e Ahmed, a fronteira entre a esperança e a desilusão é uma linha ténue. Convivem com ela todos os dias.
Longe dos seus, são projectos de vida. J.J.P.